Os Enamorados, carta na posição normal
Os Enamorados são a carta da escolha. Você se encontra diante de uma decisão que compromete sua vida, porque os dois caminhos que se abrem para você são duas maneiras de orientar sua vontade e sua fidelidade. Essa decisão não se toma só com a razão: ela envolve seu coração, seu desejo e aquilo a que você aspira. A escolha pode ser pequena ou virar uma verdadeira crise, e pode se estender a toda a sua vida. Os dois caminhos clássicos são uma vida respeitável mas talvez sem brilho, e uma vida muito desejada mas moralmente discutível. O que lhe ensinaram já não a protege como antes: você precisa se comprometer, ou seja, delimitar, escolher e decidir. Você é livre para se voltar para a exigência do dever ou para os prazeres da vida, e cabe a você decidir se quer mesmo viver ou se se deixa levar vegetando. Esta carta fala de responsabilidade afetiva: você orienta sua força, sua fidelidade e sua vontade de viver para o que reconhece como justo.
Ela marca o momento em que você deixa de seguir as expectativas dos seus pais. Até ali, a maioria das pessoas se contenta em responder ao que os pais esperam delas, e a sua primeira escolha verdadeira se faz independentemente deles. Viver sob a proteção dos seus pais é seguro e confortável, mas você só se torna uma pessoa por inteiro fazendo um corte. Os parceiros que os pais escolheriam raramente são os que se escolhem por conta própria, e se a distância é grande demais ou os pais controladores demais, a escolha pode ser dolorosa. Você afirma então sua própria personalidade, suas ideias e seus objetivos, e escolhe segundo sua avaliação dos seus desejos e das suas responsabilidades, não por ordens.
Ela mostra como funciona um ato de vontade: você recebe impressões pela sua sensibilidade, reage, depois delibera e escolhe antes de agir. Seu desejo é intenso e sustentado por uma afeição profunda; o amor absorve sua vontade, e você já não procura mandar. O resultado desta carta é um amor que a faz esquecer seu interesse pessoal para querer apenas o bem do outro.
Ela fala das suas relações, de todo tipo: família, amigos, colegas, amores, vida espiritual, e também as diferentes partes de você. Pode se tratar de uma cooperação, ou de alguém próximo que influencia seu pensamento ou uma decisão. Como Gêmeos põe a comunicação no centro, você tem vontade de trocar seus pensamentos e suas opiniões. Ela diz também a importância do amor na sua vida e de uma relação precisa, muitas vezes um casamento ou uma relação longa. Essa relação é muito preciosa para você e pode levá-la a uma nova compreensão da vida. Se você está diante de um problema preciso, a carta indica uma ajuda, seja concreta, da parte da pessoa amada, seja um apoio afetivo. Conforme o caso, fala de união e de casamento, às vezes de várias uniões ou de uma escolha a fazer: é uma carta forte e positiva. É a carta do amor humano, da juventude e da inocência, do amor antes que o desejo material grosseiro o suje. O amor e a sexualidade a tiram do isolamento e a empurram a formar relações vitais. Ao amar, você solta uma parte do controle do seu ego, aquele que a isola dos outros e da vida. Ela tem a ver também com o discernimento, o conhecimento do bem e do mal, a consciência, o privilégio e o dever, o instinto. Você pode querer se mostrar como é, sem esconder nada, e ser aceita assim. O amor pode libertá-la de inibições ou de culpa. Talvez você tenha que reconciliar uma dualidade em você, ou buscar uma perspectiva mais alta que englobe suas opções, ou até uma união espiritual em vez de física. Seu sentimento de valor pode refletir a forma como um parceiro a trata. Suas escolhas lhe trazem conhecimento e experiência, e esta carta põe sua maturidade à prova, pedindo discernimento.
Seus pontos fortes
Você sente ternura, atração, afeição, amor, confiança. Busca o equilíbrio, a harmonia, o acordo com a outra pessoa. Sabe fazer escolhas sábias, se determina por si mesma e assume suas responsabilidades.
O que te freia
- Você hesita e tem dificuldade para adotar uma linha de conduta.
- Você fica dividida nos seus sentimentos e pode se contradizer.
- Você pode cair na infantilidade, na frivolidade ou na banalidade, e pensar sem levar em conta o concreto.
- Uma paixão cega pode colocá-la sob o domínio de uma compulsão inconsciente.
- Se você gasta sua vontade sem poupá-la, suas decisões ficam sem força.
O que te ajuda
Escolher com todo o seu ser e não só com a cabeça. Se perguntar a que você dá sua força, sua fidelidade, sua vontade de viver, o que quer servir e que laço reconhece como justo. Unir a razão e a paixão: cada uma precisa da outra, a razão guia as paixões e as paixões libertam a razão. Olhar o que você mais ama e quem ou o que toma como companhia. Se mostrar sem esconder nada. Poupar sua vontade, para que suas decisões tenham força. Trocar seus pensamentos com os outros.
Os Enamorados, carta invertida
Os Enamorados invertidos falam dos seus laços, do seu jeito de se aproximar de alguém e das suas escolhas. O seu vínculo com uma pessoa pode ser sobretudo interior: uma união dos espíritos mais do que dos corpos, ou um entendimento profundo que as circunstâncias materiais impedem de viver. Você pode idealizar alguém, sobretudo se estiver ausente, ou simplesmente a ideia de estar num casal. A sua relação também pode ser difícil, pouco harmoniosa, imatura ou doentia, sobretudo nos pontos que as cartas vizinhas mostram. Você pode ter dificuldade de se comunicar, ou não saber como se aproximar de alguém. A confusão se instala, e desacordos ou mal-entendidos fazem nascer conflitos. Também pode ser que nenhuma relação esteja à vista, ou que você esteja decepcionada porque uma aproximação não deu certo.
Esta carta fala também de escolhas. Pode faltar discernimento e você pode fazer más escolhas que deixam arrependimento e culpa, sobretudo quando outra pessoa está envolvida. Você tem dificuldade de se decidir ou adia a sua próxima decisão, e isso pode acabar lhe impondo um ultimato. Você pode estar dividida entre o seu apego à outra pessoa e a sua fidelidade a você mesma, e ficar bloqueada. Pode temer uma separação, mesmo temporária. Se você se afasta da outra pessoa, não sabe como reencontrar um vínculo verdadeiro. A projeção é uma questão central aqui: você atribui à outra pessoa o que vem de você, e precisa se ver através do olhar dela.
Seus pontos fortes
Quando você trabalha conscientemente para reunir os seus dois lados, o masculino e o feminino em você, esta carta mostra um equilíbrio interior.
O que te freia
- Você idealiza uma pessoa ausente ou a ideia de uma relação.
- Você fica numa relação desarmônica ou imatura.
- Você tem dificuldade de se comunicar ou de abordar a outra pessoa, o que alimenta mal-entendidos e conflitos.
- Você se deixa seduzir, ou seduz, sem amor; ou o seu amor não é correspondido.
- Você sofre de ciúme, inveja ou possessividade.
- Você se volta para o prazer por si mesmo, a ponto de se entregar a ele.
- A outra pessoa a controla demais, ou vocês lutam para dominar.
- Uma união sufoca a sua individualidade.
- Falta discernimento, você hesita e adia as suas decisões.
- Você duvida, falta confiança em você, está desiludida, e pode agir de forma imatura ou desordenada.
O que te ajuda
Reconhecer que talvez você precise simplesmente de espaço neste momento. Olhar o que você projeta na outra pessoa e se ver a si mesma. Integrar as suas qualidades masculinas e femininas. Escolher entre o que você deve à outra pessoa e o que deve a si mesma, em vez de ficar suspensa entre as duas.
Amor
Você pode idealizar alguém ou a ideia de uma relação, viver um laço difícil ou imaturo, ou se decepcionar porque uma aproximação não deu certo. Pode sofrer de ciúme, inveja ou possessividade, de frustração ou de incompatibilidade sexual, e o seu amor pode não ser correspondido. Quando você se afasta da outra pessoa, nem sempre sabe como vocês podem se reconectar.
O que a carta mostra
O que a imagem mostra
Na versão mais comum hoje, o sol brilha lá no alto e um grande anjo de braços estendidos faz descer sua influência sobre duas figuras. Em primeiro plano, um homem e uma mulher estão nus um diante do outro, como Adão e Eva quando entram no paraíso. Atrás do homem está a árvore da vida, que dá doze frutos. Atrás da mulher está a árvore do conhecimento do bem e do mal, com a serpente enrolada nela. Essa árvore dá cinco frutos, que remetem à vida dos sentidos. O homem olha a mulher, a mulher olha o anjo, e uma única montanha se ergue entre eles. A nudez das duas figuras diz que elas não escondem nada uma da outra e que se aceitam como são. As figuras evocam a juventude, a inocência e o amor antes de ser estragado por um desejo grosseiro.
O jovem tem os braços cruzados sobre o peito e o olhar baixo, sem saber que direção tomar. Uma mulher usa um círculo de ouro na cabeça, a outra tem os cabelos soltos e uma coroa de folhas de videira. Representam a virtude e o vício, cada uma lhe mostrando um caminho. A primeira promete uma vida de esforço e de satisfações morais, a outra prazeres fáceis. O traje dele alterna o vermelho, cor da energia e da coragem, e o verde, cor da vitalidade passiva e da inação. Esta versão às vezes tem o título “A Escolha”. Remonta a cenas do século XV sobre a escolha de um casamento, de uma lealdade ou de um rumo.
O que a carta quer dizer
O tema central é a escolha. As duas figuras em volta do jovem representam dois rumos possíveis da vida, duas lealdades, duas maneiras de ordenar a própria vontade. A escolha pode ser pequena ou marcar uma crise, e pode comprometer uma vida inteira. Opõe muitas vezes o que é respeitável mas talvez entediante ao que é muito desejado mas moralmente inconveniente. A flecha vinda do alto mostra que a decisão toca o centro do ser: você escolhe com tudo o que você é, não só com a razão. A carta fala de responsabilidade afetiva e espiritual: a liberdade se torna concreta porque obriga a se decidir.
A carta marca também a primeira escolha verdadeira feita independentemente dos seus pais. Enquanto o desejo amoroso não desperta, responde-se sobretudo ao que os pais esperam, e é raro que os parceiros que eles escolheriam sejam os que se escolhe por si. Se a distância é grande demais ou os pais controladores demais, a escolha pode ser dolorosa. A vida sob a proteção dos pais é segura e confortável, mas só se vira uma pessoa de verdade rompendo com ela. Esta carta representa assim a adolescência, com a independência intelectual e moral, em que a personalidade aparece com suas ideias e seus objetivos próprios.
Na versão atual, a carta mostra o papel do amor numa vida. O desejo leva a sair do isolamento e a criar laços, e depois abre o caminho para o amor. No amor, você solta uma parte do controle do seu ego e entrevê um sentido maior para a vida. O anjo acima das duas figuras é uma visão que nenhum dos dois obtém sozinho. Homem e mulher representam a dualidade: o homem figura a razão e a mulher a sensibilidade e o desejo. A mulher, que olha o anjo, mostra que a razão ultrapassa seus limites graças à paixão. Essas duas forças precisam, porém, uma da outra: a paixão sozinha leva de uma experiência a outra, e a razão sozinha fica presa no controle. Quem recusa toda emoção amorosa pode cair na depressão, e quem nunca solta seu ego usa a sexualidade para tomar o poder sobre a outra pessoa. As duas figuras podem ser qualquer casal: o que importa é a realidade da união, não os papéis.
O anjo representa a consciência superior, que dá a direção certa. Deixada sem direção, a consciência profunda se deixa governar pelas aparências dos sentidos. As duas partes de você são diferentes e iguais: nenhuma precisa dominar a outra e não devem esconder nada uma da outra. Quem desempenha um papel o tempo todo, com palavras e um rosto que dizem outra coisa que seus pensamentos, sofre com os conflitos da própria mente.
A carta também pode ser lida como um elo entre opostos: a luta entre as paixões e a consciência, ou entre ideias contrárias, que se torna amor quando aproxima os opositores. O jovem é também aquele que delibera antes de agir: recebe as impressões do mundo pela sensibilidade, reage e escolhe antes de decidir. Cupido acumula acima dele a energia da vontade, e se você a gasta sem economizar, suas vontades perdem força. O Enamorado se contenta em desejar intensamente num sentimento de profunda afeição, e o amor absorve sua vontade. No seu auge, a carta fala de amar até viver pelos outros e de não querer mais que o bem dos outros.
A carta está ligada ao signo de Gêmeos, portanto à comunicação, à troca de pensamentos e de opiniões. Está ligada à letra hebraica Záin, a espada, e à faculdade de discernir e de separar.
Seus pontos fortes
Você pode se mostrar como é, sem máscara. É capaz de afeição, de atração e de um amor que a abre para algo maior que você.
O que te freia
- Você hesita, adia sua decisão e se vê dividida entre duas direções.
- Você às vezes falta com discernimento e faz escolhas de que se arrepende depois.
- Você pode idealizar uma pessoa, sobretudo ausente, ou a própria ideia de uma relação.
- Você pode se deixar levar por uma atração que age como uma compulsão inconsciente.
- Você corre o risco de projetar na outra pessoa o que se passa em você.
- Você pode viver o amor como um grande problema, ou permanecer em fantasias de infância na idade adulta.
- Você pode continuar apegada a um amor passado a ponto de se recusar a olhar o presente.
- Você pode se ver numa união em que a outra pessoa a controla ou em que a luta de poder de vocês sufoca sua individualidade.
O que te ajuda
- Se perguntar do que você mais gosta, e quem ou o que escolhe como companhia.
- Reconciliar as duas partes de você sem que uma domine a outra.
- Pedir espaço quando você precisar.
















