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A Justiça, baralho Asteria

Arcano maior · XI

A Justiça

A frase para guardar
O que você vive hoje vem das suas decisões passadas: olhe para a sua situação com total honestidade, assuma a sua parte e depois pese as suas opções antes de escolher a sua próxima ação.

Em resumo

Na posição normal
A Justiça lhe pede que responda pelos seus atos. Talvez você esteja num momento de decisão, cujas consequências serão pesadas depois.
Invertida
Invertida, a Justiça dá muitas vezes a impressão de que algo não está certo. Você pode temer que a ordem seja perturbada, que a justiça seja virada de cabeça para baixo ou que seus desejos sejam contrariados.

A Justiça, carta na posição normal

A Justiça lhe pede que responda pelos seus atos. Talvez você esteja num momento de decisão, cujas consequências serão pesadas depois. O que lhe acontece vem de situações e decisões passadas. A decisão não é necessariamente a que você preferiria.

Você pode estar fechando acordos em que equilibra as suas necessidades e os seus desejos com os dos outros: contratos, casamento, parcerias, negociações, trocas ou acertos. Também pode estar envolvida num processo, numa investigação ou numa mediação, como alguém que pede justiça ou como quem ajuda a proferir um julgamento. Nas questões de direito, a carta pende para o lado da parte que merece. Ela fala de equidade, de retidão e de probidade. Fala também de processo, de reabilitação, de honestidade e de justiça feita, e vale como uma carta forte. Na área do dinheiro, ela tem a ver com as suas contas, as suas faturas, os seus empréstimos, os seus impostos e os seus negócios. No relacionamento, tem a ver com uma divisão equilibrada das responsabilidades, ou com o desejo de dar um quadro legal à relação.

A carta lhe pede que veja a verdade sobre a sua situação e sobre você mesma. Pede uma honestidade total consigo, que depois se estende à forma como você trata os outros. O que você fizer no futuro pode mudar graças ao que compreender da sua situação atual. No fundo, trata-se de ser fiel à sua própria natureza: sem isso, nenhum dos seus acordos com os outros será realmente justo.

Essa carta vem no meio da série dos Arcanos Maiores. Ela equilibra o interior e o exterior, o passado e o futuro, a razão e a intuição, o saber e a experiência. Pede que você una a compreensão e a ação: compreender não serve de nada sem uma resposta ativa. Na carta, a espada de dois gumes significa a escolha. Você precisa decidir, e uma decisão tomada não se retira: ela se torna parte de você. Os seus atos passados a formaram, e os seus atos presentes formam quem você será.

Aceitar essa responsabilidade a liberta do passado: enquanto você não vê como se construiu, repete os mesmos comportamentos. Essa responsabilidade não lhe dá nenhum controle sobre o mundo exterior e não carrega um julgamento moral. Quer dizer que tudo o que você vive contribui para formar a sua personalidade. Antes de poder avançar, você precisa admitir que fez de si o que é.

Agir com justiça exige duas coisas: medir corretamente os fatos e depois agir de acordo com eles. Sem medidas exatas, sem critérios corretos, você fracassa: a maioria das dificuldades vem daí. A sua ação deve visar o que restringe a sua liberdade. A competência prática lhe permite ajustar o que você vive. A carta também mostra que o fundamento de uma ação bem-sucedida é aceitar as coisas como são.

Ela marca também o momento em que você pesa antes de decidir: a balança representa o equilíbrio das forças em presença, a espada a decisão que resulta disso. Você sai da reação para entrar na decisão. Age segundo uma medida interior que vai além do seu impulso do momento, e é assim que a sua liberdade se torna real. A carta regula, não pune.

Essa carta fala de lei, de ordem e de organização. Cada ação, cada sentimento e cada desejo pesa na balança e produz efeitos equivalentes. O que vem de uma bondade generosa enriquece a alma. Ela indica também que a natureza continua exata: cada ação provoca uma reação, e toda energia deve ser empregada com integridade.

Seus pontos fortes

Você sabe pesar os prós e os contras, analisar e avaliar.

O que te freia

  • A sua voz pode se tornar crítica e exigir disciplina, lógica, justificação e exatidão.

O que te ajuda

Olhar a verdade da sua situação, sem esconder nada de si, e aceitá-la. Reconhecer que os seus atos passados fizeram de você o que é e agir a partir do que compreendeu. Pesar antes de decidir: fazer listas, comparar os prós e os contras, estimar o que tem valor para você. Ajustar a sua decisão aos seus sentimentos profundos e respeitar a sua verdade pessoal, continuando justa e reta. Medir os fatos com exatidão antes de agir. Olhar as cartas vizinhas, que muitas vezes mostram o que você procura equilibrar ou entre o que precisa escolher. Alternar esforço e descanso: preparar um esforço com descanso, e um gasto mental com sono ou recolhimento. Se excitar artificialmente cria um desequilíbrio que acaba se instalando.

A Justiça, carta invertida

Invertida, a Justiça dá muitas vezes a impressão de que algo não está certo. Você pode temer que a ordem seja perturbada, que a justiça seja virada de cabeça para baixo ou que seus desejos sejam contrariados. Pode haver um ou vários desequilíbrios a corrigir na sua vida e nas suas relações; as cartas colocadas de cada lado indicam onde.

Você pode temer ter que responder pelos seus atos ou ter que reparar algo. Pode se sentir envergonhada ou humilhada, e ter dificuldade para enfrentar as consequências. Também acontece de você reconhecer seus erros e aceitá-los com humildade. O que era estável, equilibrado ou regular pode ser perturbado. Seus antigos valores, suas referências habituais e as expectativas da sociedade deixam de ser confiáveis: você precisa reagir na hora, com pouquíssimos pontos de apoio. Você pode empurrar os limites do que a sociedade e as convenções toleram.

A injustiça está em jogo: a parcialidade, os preconceitos, a intolerância. A crítica pode ficar severa demais, e portanto destrutiva, ou faltar compreensão. Você pode se apoiar demais na razão e nos fatos, ou, ao contrário, ignorá-los por falta de discernimento. Vista de dentro, a carta fala da justiça que você tem a encontrar em si, e às vezes essa é a tarefa mais difícil.

Você também pode se sentir sobrecarregada pela papelada ou bloqueada no que escreve.

O que te freia

  • Você reage com suas emoções quando seria preciso razão calma.
  • Você procura justificar o que fez.
  • Você fica presa na indecisão e não age.
  • Você se sente tratada com injustiça e faz disso uma desculpa para não assumir sua parte de responsabilidade no que lhe acontece.
  • Você é severa demais ou falta discernimento no seu julgamento.

O que te ajuda

  • Identificar os desequilíbrios na sua vida e nas suas relações, e corrigi-los.
  • Reconhecer seus erros com humildade.
  • Olhar para dentro para encontrar sua própria justiça e sua própria resolução.
  • Tomar nas mãos a sua parte de responsabilidade: ninguém além de você pode tirá-la do aperto.

Profissões

jurista, profissões do direito, polícia.

O que a carta mostra

Ela segura uma balança numa das mãos e uma espada erguida na outra. A figura é a deusa grega Têmis, chamada Justitia em Roma. Também é associada a Astreia, a Virgem do zodíaco que segura a balança do equinócio de outono. Nos afrescos dos tribunais, Justitia tem os olhos vendados para mostrar que a lei se aplica da mesma forma aos fracos e aos poderosos. Na carta, ela não tem venda: olha de frente, porque a justiça de que se trata aqui exige ver a verdade sobre si mesma e sobre a vida.

A balança

Ela representa o equilíbrio das forças em jogo.

Serve para pesar antes de decidir. Também remete às contas, às dívidas, aos impostos, aos contratos e aos acordos entre pessoas.

A espada

Ela aponta direto para cima: exprime a resolução e um pensamento claro que vai até o sentido dos acontecimentos. Tem dois gumes, o que significa a escolha: cada decisão tomada se torna uma parte de você e não se retoma. Marca a decisão que vem depois da pesagem. Com a balança, diz que é preciso medir corretamente os fatos e depois agir de acordo com eles, afastando o que limita sua liberdade.

O assento, as colunas e a postura

O trono é maciço, fixado no chão, estável.

A Justiça trata cada um segundo seus atos. A mulher parece ao mesmo tempo andrógina e pronta para se levantar: um pé aparece sob o vestido, o outro fica escondido. Sua postura une a compreensão e a ação.

As cores e os outros detalhes

O véu é violeta, cor da sabedoria interior. O fundo, a coroa, os cabelos e os pratos da balança são amarelos, cor da força mental. Seu vestido é vermelho, e sua postura, um braço levantado e um braço abaixado, lembra o Mago. Uma cruz em T enfeita o vestido. A coroa e os cabelos loiros a aproximam da Imperatriz.

O número 11

O 11 é um 1 duplo: o Mago, que age, é desenvolvido e duplicado pela Sacerdotisa, que registra e guarda na memória, e o resultado é o equilíbrio. Os dois algarismos de 11 somam 2, e 11 também é uma versão mais alta de 1. A carta reúne, então, o Mago e a Sacerdotisa: a ação justa vem do autoconhecimento, e a sabedoria vem da ação. A Justiça está no centro exato dos Arcanos Maiores. Ela vem depois da Roda da Fortuna: a Roda mostra a lei geral dos ciclos, e a Justiça a aplica pelos atos da pessoa. Depois da visão de conjunto da Roda sobre sua vida, a Justiça traz a compreensão dessa visão.

O que a carta quer dizer

A carta fala de responsabilidade: tudo o que você faz e vive contribui para formar sua personalidade, e você continua a se criar por seus atos futuros. Ela pede honestidade consigo mesma, depois com os outros, equidade, atos corretos e, em matéria legal, uma decisão justa, não necessariamente a que você preferiria. Indica que o que você vive vem de situações e decisões passadas. Sinaliza também que é possível mudar suas ações futuras graças ao que você aprende com a situação presente. Aceitar essa responsabilidade te liberta do passado: só se desliga dele tomando consciência, senão se repetem os mesmos comportamentos. A responsabilidade não quer dizer que você controla o mundo exterior: ela não tem sentido moral, constata que cada experiência te forma. Pede que você seja fiel à sua própria natureza, sem o que nenhum acordo com os outros será realmente justo. Pode anunciar um momento de decisão, um acordo a encontrar (contrato, casamento, sociedade, negociação, acerto), uma questão de justiça ou uma mediação. É também a voz da crítica, que exige disciplina, lógica, razões e exatidão. Na ordem das cartas, a Justiça verifica o equilíbrio depois do domínio do Carro: pesa, mede e julga, e a gente para por dentro para avaliar. Ela é um ato de consciência: a avaliação interior faz sair da reação para entrar na decisão, e é assim que a liberdade se torna real. Não é punitiva: acerta e põe ordem. Coordena o que sem ela ficaria sem ordem, pois os seres vivem segundo leis. Na pessoa, uma fase de agitação deve ser compensada pelo repouso. Nos sentidos clássicos da carta: equidade, retidão, probidade, triunfo da parte que tem razão na justiça. Uma carta invertida fala de injustiça, complicações legais, parcialidade e severidade excessiva.

A regularidade, o método, a exatidão, a minúcia e a disciplina. Você pode pesar os prós e os contras, analisar, avaliar seus valores e tomar decisões com as quais consegue viver. Você sabe ajustar seus atos ao que sente sem deixar de ser justa.

O que te freia

  • Você diz a si mesma que tudo é injusto e que os outros te tratam mal, o que te dispensa de ver sua parte de responsabilidade.
  • Você pode ser desonesta consigo mesma e com os outros, e se recusar a ver o sentido do que acontece com você.
  • Você teme ter que responder pelos seus atos e reparar, e pode se sentir envergonhada ou ter dificuldade de enfrentar as consequências.
  • Você pode se justificar ou se atolar na indecisão.
  • Sua crítica pode ser severa demais, portanto destrutiva ou sem compreensão.
  • Você pode se apoiar demais na razão e nos fatos, ou ignorá-los por falta de discernimento.
  • Você pode reagir pela emoção quando seria preciso uma razão calma.
  • Você pode cair na rotina, no medo do novo e na falta de iniciativa.

O que te ajuda

  • Encarar a verdade sobre sua vida e sobre você, e depois agir de acordo com essa compreensão.
  • Aceitar que suas escolhas passadas te formaram, para se libertar delas.
  • Pesar antes de decidir, e depois decidir.
  • Fazer listas, avaliar os valores em jogo e honrar sua verdade pessoal sem deixar de ser justa.
  • Medir os fatos com exatidão e agir de acordo com eles.
  • Alternar esforço e repouso: se preparar para o esforço pelo repouso.
  • Dar e agir com bondade: a energia generosa enriquece a alma.

Amor

Numa relação, você pode pedir uma divisão equitativa das responsabilidades, ou querer oficializar o vínculo.

Trabalho

Contratos, negociações, parcerias, processos, mediação, acertos, escrita.

A carta ajuda a pôr suas atividades do dia a dia em harmonia com as dos outros e a ganhar eficiência na sua vocação.

Dinheiro

Equilibrar as contas, pagar as faturas, os empréstimos e os impostos.

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