Três de Espadas, carta na posição normal
O Três de Espadas é a carta da dor e do coração ferido. Ela mostra três espadas que atravessam um coração, com nuvens e chuva ao fundo. Fala de tristeza, de lágrimas e de dor. Entre todas as Espadas, é a que diz com mais simplicidade a dor e a mágoa.
Na sua situação, esta carta nomeia o afastamento, a ausência, o atraso, a divisão, a ruptura e a dispersão. Nomeia também a separação, a interrupção, a briga e a incompatibilidade. As tentativas de meio-termo da carta anterior não se sustentaram, e a angústia mental se torna pesada demais para suportar. É difícil conciliar as necessidades diferentes de três pessoas ou de três ideias, e é daí que vem a tristeza. Talvez seu coração queira algo que sua cabeça diz ser impossível. Você pode se sentir infeliz e ter pena de si mesma. Esta carta fala de ciúme, de dor de amor, de amor não correspondido, de relacionamento que se desfaz ou de caso que fracassa. Também pode dizer que seu coração já não está no seu trabalho ou numa relação, ou que alguém a magoou nos seus sentimentos.
A dor desta carta não se parece com uma tristeza comum ligada a uma decepção pessoal. É uma tristeza mais ampla, uma melancolia profunda. Ela se liga ao sentido de divisão e de mudança. Ainda assim, é considerada uma carta de nível elevado, em que a dor é um estado de consciência profundo que ultrapassa o raciocínio. Apesar da tristeza, a imagem guarda uma certa calma graças à simetria das espadas.
Seus pontos fortes
Sua dor pode se tornar criadora: a dor de amor inspira muitas belas obras e muita música bonita. Uma dor partilhada cria laços profundos e dá ideias certas. Você é honesta em questões de dinheiro, e às vezes generosa.
O que te freia
- Você pode se recolher na pena de si mesma.
- Você tem dificuldade para aceitar uma dor grande demais: você a afasta, evita pensar nela e evita tudo o que a lembra. Essa atitude a mantém com você e dá a ela mais força sobre você.
- Uma dor que você não aceitou, como a morte de uma pessoa querida, pode bloquear sua evolução, mesmo quando sua situação oferece muitas possibilidades.
- Você pode ficar dispersa, desorganizada, ou em desacordo com os outros.
- Nas tensões, você pode se mostrar egoísta, dizer palavras enganosas ou semear discórdia.
- Os mal-entendidos e as crenças que se opõem podem desencadear lágrimas, acusações e palavras duras. Às vezes se soma a isso maldade.
O que te ajuda
- Não afastar a dor: acolhê-la em você, aceitá-la e ir além.
- Transformá-la com coragem e amor, para que a dor se torne uma lembrança alegre e uma forma de abraçar a vida.
- Se deixar chorar, porque nada vale um bom choro.
Três de Espadas, carta invertida
Na primeira, você sente alívio depois de um desastre evitado por pouco. A tristeza começa a recuar, você pode deixá-la ir e iniciar a sua cura. As velhas feridas podem cicatrizar e a dor diminuir. Depois de uma briga, você pode limpar o ambiente e reconhecer a sua parte de responsabilidade em vez de acusar a outra pessoa. Esta carta também pode sinalizar um compromisso de apoio, entre amigas ou em favor de uma causa ou de uma organização.
Na segunda, você carrega uma dor interior que não se vê. Você nega o seu ciúme ou a sua tristeza, ou se recusa a acreditar que uma relação vai mal. Esta carta descreve, por exemplo, uma pessoa que nunca chora. Quando você projeta essa dor em outra pessoa, a vê como alguém dramático que conta sem parar as suas desgraças. Também pode se fechar numa ferida que não cicatriza. Você volta a ela sem parar, e isso acaba por isolá-la e esgotá-la.
Esta carta descreve também uma dor que você afasta porque é forte demais. Você evita pensar nela e em tudo o que a lembra. Essa atitude mantém a dor com você e reforça o domínio dela. A cura fica bloqueada quando você se recusa a aceitar. Um luto que você nunca superou, como a morte de um pai, pode assim pesar sobre toda a sua vida e enfraquecer o que você constrói.
As interpretações antigas associam esta carta à solidão, ao isolamento, à confusão, à desordem e às brigas. Veem nela também a sensação de morrer de desgosto amoroso ou de enlouquecer de dor.
Seus pontos fortes
Você sabe reconhecer a sua própria responsabilidade num conflito. Sabe também se comprometer para apoiar amigas ou uma causa.
O que te freia
- Você nega o seu ciúme ou a sua tristeza.
- Você se recusa a ver que uma relação se estragou.
- Você culpa os outros pelas suas dificuldades sem olhar o seu próprio papel.
- Você afasta a dor e evita tudo o que a lembra, o que a mantém.
- Você volta sem parar à mesma ferida, até se isolar.
O que te ajuda
Deixar a tristeza ir embora e entrar na cura. Aceitar a dor, acolhê-la em você para que ela se transforme. Esclarecer as coisas depois de uma briga e assumir a sua parte. Deixar-se ajudar por uma pessoa sábia e bondosa, como uma conselheira. Proteger-se da intenção de prejudicar de outra pessoa.
Amor
Você pode sair de um desgosto amoroso e reencontrar a paz depois de uma briga. Também pode se recusar a ver que uma relação está estragada, ou negar o seu ciúme.
Amizades
Você pode se comprometer com amigas prometendo o seu apoio.
Trabalho
Você pode já não ter o coração no que faz.
O que a carta mostra
Na carta clássica, três espadas transpassam um coração, com uma nuvem e chuva ao fundo. Esse motivo do coração transpassado por espadas aparece já no fim do século XV num antigo baralho italiano, e designa há muito tempo o ciúme, a tristeza e o rompimento. Esse mesmo baralho antigo inspirou a cena do Três de Espadas no tarô mais difundido hoje.
O título antigo da carta é “Senhor da Tristeza”. O Três é o número da compreensão: a ideia é fecundada e se forma um triângulo. Os Três correspondem à criação e à união, mas as espadas trazem ali o desacordo e a tristeza: é difícil conciliar as necessidades de três pessoas ou de três ideias. O Dois tinha tentado um meio-termo, e o Três mostra que ele fracassou: a angústia mental se torna pesada demais para carregar.
O sentido da imagem é simples: separação, rompimento, afastamento, ausência, atraso, divisão e dispersão. A carta fala de brigas, discórdia, lágrimas e tristeza. Também pode dizer incompatibilidade, aversão, perda e amor não correspondido. Você pode ver ali um coração que quer uma coisa que a cabeça diz impossível, um momento de tristeza ou de pena de si, um triângulo amoroso, um caso que fracassou ou um casal que se desfaz. Crenças que se opõem ou uma comunicação ruim, muito frequente nas Espadas, também podem desencadear lágrimas, recriminações e palavras duras. Mais simplesmente, ela diz que seu coração já não está no seu trabalho ou numa relação, ou que alguém feriu seus sentimentos.
Esta carta é sombria e pesada, e uma paixão intensa de criar fica ali retida. A tristeza desta carta não tem nada em comum com a de um luto ou de um rompimento amoroso: é um estado de consciência profundo, em que o pensamento comum cede lugar a algo maior que ele. Apesar da sua escuridão, a imagem mantém uma certa calma graças à simetria das suas espadas.
Seus pontos fortes
Você pode acolher a dor em vez de fugir dela: recebê-la em você, aceitá-la e ir além. Com o tempo, a aceitação e o amor podem transformar o sofrimento em lembrança alegre e em gosto de viver. Uma tristeza dá lugar ao que você sente: inspira muita arte e música, e um sofrimento compartilhado cria laços profundos e intuições certeiras.
O que te freia
- Você afasta o que lhe faz mal demais, evita pensar nisso e rever: a dor fica então com você e ocupa mais espaço.
- Você pode negar seu ciúme ou sua tristeza, ou se recusar a acreditar que um relacionamento vai mal.
- Você pode se conter para não chorar quando a dor está ali, e remoer uma velha ferida a ponto de se isolar.
- Você pode culpar os outros pelas suas dificuldades sem reconhecer sua parte.
O que te ajuda
- Receber a dor em você e atravessá-la com coragem e amor.
- Se deixar chorar: nada vale mais que chorar bem.
- Depois de uma briga, esclarecer a situação e aceitar sua responsabilidade em vez de acusar a outra pessoa.
- Deixar a tristeza ir embora e começar a cura quando as espadas “caem” do coração.
















