Dois de Espadas, carta na posição normal
Esta carta fala de uma situação em que dois pontos de vista, duas ideias ou duas forças se opõem, e em que você procura manter a paz e o equilíbrio entre elas. Você suspende as hostilidades e os julgamentos e se recusa a tomar partido. Você pode estar em negociação, ou buscar a moderação e o equilíbrio acalmando as tensões. Também pode se unir a outra pessoa para um benefício mútuo, sem ficar de um lado. As ideias que se opõem pedem comunicação e uma moderação imparcial.
A carta promete harmonia e um sucesso obtido sem conflito nem combate, mais passivo. É uma das poucas cartas de Espadas que anunciam um clima mais pacífico, pois a paz reina nela apesar da agitação própria desse naipe. Essa paz continua frágil: a espada é feita para agir, e a calma nela é uma pausa num movimento que depois recomeça. Pela mesma razão, o sentido favorável deve ser lido com prudência, porque as Espadas em geral não são forças benevolentes nos assuntos humanos.
A carta descreve também uma maneira de lidar com os conflitos: você mantém à distância o que poderia machucá-la. Você se fecha voluntariamente para não ter que escolher entre amiga e inimiga, porque escolher a aproximaria dos outros. A raiva e o medo mantêm um equilíbrio precário: uma parte de você gostaria de atacar, a outra gostaria de se esconder, e você fica tensa entre as duas. Você pode proteger seu coração enquanto sua mente se debate com um dilema. Essa postura de defesa a deixa mais sujeita a explosões, a raiva e agitação. Reter as emoções enrijece o corpo e encurta a respiração, e ao querer detê-las você fica mais emotiva.
Os sentidos tradicionais são a amizade, a afeição, a concórdia, a ternura, a intimidade, a conformidade e o equilíbrio. Encontram-se também a coragem e a bravura para tempos perigosos, uma tensão, e um acordo selado entre forças que continuam em alerta. Uma briga é resolvida, mas resta tensão nas relações, e seus atos são ora egoístas, ora sem interesse próprio. Você carrega em si traços contraditórios, uma força que vem do sofrimento e um prazer que vem depois da dor.
Seus pontos fortes
- Você sabe buscar a paz, o acordo e o equilíbrio entre pontos de vista opostos.
- Você sabe não tomar partido e negociar com imparcialidade.
- Você pode ajudar os mais fracos, e busca a justiça e age sem interesse próprio.
- Você mantém uma certa calma em meio à agitação.
O que te freia
- Você se fecha para não ver o que poderia perturbar seu equilíbrio, e teme ser influenciada demais.
- Você hesita, fica ambivalente e evita se comprometer, até não conseguir mais decidir.
- Você espera que as coisas mudem antes de agir, o que pode ser procrastinação.
- Você mantém uma paz desconfortável, feita de medo, de indecisão ou da necessidade de se conformar.
- Você se protege afastando os outros, e corre o risco de ficar presa à sua própria imagem do mundo.
- Você retém suas emoções, o que as torna mais fortes e a deixa mais sujeita a explosões.
- Você pode faltar com tato, fazer perguntas sem importância e falar demais.
- Você pode magoar sem querer, e repetir ofensas depois de ter sido perdoada.
O que te ajuda
- Se apoiar na sua intuição quando ideias se opõem.
- Reconhecer que a paz obtida é frágil e não considerá-la definitiva.
- Buscar ajuda externa quando baixar a guarda a deixa em carne viva.
Dois de Espadas, carta invertida
O Dois de Espadas na posição normal mantém a paz recusando-se a tomar partido. Invertido, fala de romper essa paz e passar à ação. As suas lealdades podem estar divididas, e isso pode levar, de propósito ou não, à mentira e à duplicidade. Você pode se sentir dividida e já não estar em paz consigo mesma. Talvez resista a um equilíbrio de forças, ou procure abalá-lo. Talvez tenha vontade de sair da complacência e do entendimento de superfície, e de encarar assuntos incômodos que pedem ação. Talvez se pergunte se é honroso ou sábio provocar problemas ou infringir uma regra.
Existem duas saídas. Ou você reúne os opostos num todo, o que lhe dá uma paz interior. Ou julga que eles são inconciliáveis, e eles se tornam então enganosos, como falsos amigos. Na vida cotidiana, pode ser simplesmente isolar algo desagradável, como separar as áreas de fumantes e não fumantes. Aqui, o impasse da carta na posição normal em geral não se aplica, mas o acordo também não. Você toma partido, e pode escolher o lado errado. Pode abrir os olhos para a verdade e descobrir que vivia com uma mentira. Quaisquer que sejam as circunstâncias, verdades mais profundas tendem a aparecer em breve.
Quando o equilíbrio é perdido ou abandonado, há dois casos. Ou você é derrubada por pessoas ou problemas que forçam as suas defesas. Ou você mesma renuncia a se proteger de olhos fechados, para ver a verdade ou para se comunicar. Esse segundo caso pode ser muito carregado emocionalmente, e até avassalador se você não receber ajuda externa.
O que te freia
- Você se sente dividida entre duas lealdades e pode ficar em desacordo consigo mesma.
- Você pode se sentir enganada, traída ou vítima de falsidade, ou dizer você mesma coisas falsas.
- Na defensiva, você fica mais sujeita a explosões de raiva e histeria.
- Você corre o risco de escolher o lado errado.
O que te ajuda
Encarar o que a incomoda em vez de mantê-lo à distância. Ir ao encontro do que a perturba, reconhecendo o que é falso na sua própria atitude. Buscar a ajuda de uma pessoa de fora quando a verdade a abala. Escolher entre integrar os opostos num todo ou admitir que são inconciliáveis.
O que a carta mostra
Na imagem mais difundida, uma mulher está sentada num assento de pedra, de olhos vendados, os braços cruzados, e cada braço segura uma espada. A venda é posta por ela mesma: escolheu fechar os olhos para não ter que escolher entre amigo e inimigo, pois escolher a poria de novo em contato com os outros. As espadas ficam prontas para ferir quem se aproxime. Representam a raiva e o medo, que formam um equilíbrio frágil: um quer atacar, o outro quer se esconder, e a pessoa fica tensa entre os dois. Esta carta mostra um jeito de lidar com os problemas ou a oposição: manter tudo à distância, achando que nada pode machucar você se nada chega perto.
Os braços cruzados fecham o coração. O vestido cinza dela se funde ao assento de pedra, o que ressalta as emoções bloqueadas. O peso das espadas sobe o centro de gravidade do ventre para o peito. Quando se retêm as emoções, a respiração fica mais curta e o corpo se enrijece. O paradoxo é que, ao tentar parar a emoção, a pessoa fica mais emotiva: pensa e age a partir de um peito contraído, e já não vê o mundo, só a própria imagem atrás da venda.
A carta lembra a Papisa, elas têm o mesmo número e uma postura próxima. A Papisa está relaxada, enquanto a tensão domina o Dois de Espadas. Um véu separa a Papisa das águas do inconsciente, ao passo que a mulher de olhos vendados não tem proteção alguma contra seu reservatório de emoções agitado. O peso das espadas pode fazê-la cair nessas águas agitadas. Uma atitude defensiva concentra a atenção nas emoções e torna a pessoa mais sujeita a arroubos, raiva e histeria. A carta se aproxima também da Justiça, cujo número se reduz a 2: a Justiça segura uma só espada, para um espírito afiado, e não tem venda porque prefere a honestidade completa. O equilíbrio do Dois de Espadas se perde ou é abandonado. Ou a pessoa é derrubada pelas pessoas ou pelos problemas que atacam suas defesas. Ou tira a venda para ver a verdade ou para se comunicar, o que pode ser muito emocional, até avassalador, se ela não recebe ajuda externa.
A imagem não corresponde ao sentido tradicional de amizade que lhe dão: mostra mais o isolamento e a defesa.
Na versão da tradição esotérica, duas mãos saem de nuvens, à direita e à esquerda, e seguram duas espadas que se cruzam no centro. Onde as espadas se tocam, uma rosa de cinco pétalas emite raios brancos. A rosa representa a influência da Mãe, que harmoniza a oposição presente por natureza no naipe de Espadas. Os raios formam um desenho geométrico que ressalta o equilíbrio do símbolo. A posição da rosa mostra que o sofrimento produziu força.
O Dois de Espadas expressa, no entanto, a melhor ideia possível deste naipe: a energia permanece acima da perturbação. Essa calma relativa é apoiada pela Lua em Libra: a Lua é a mudança, a natureza ali é pacífica, e Libra é o equilíbrio. Como a Lua em Libra julga com equilíbrio e pesa cada problema com justiça, é uma das raras Espadas que não faz suspirar quando sai numa tiragem. A paz continua, porém, sendo uma interrupção temporária de uma espada, cuja natureza é lutar.
Seus pontos fortes
- Você busca a paz e o equilíbrio entre pontos de vista opostos, sem tomar partido.
- Você é diplomata e sabe moderar: pode se aliar a alguém em benefício mútuo, numa posição imparcial.
- Você age com justiça e sem interesse próprio, e ajuda os fracos.
- Você pode tirar força da provação: o prazer vem depois do sofrimento.
O que te freia
- Você faz durar um equilíbrio frágil, feito de falsa paz ou de imobilidade, mantido pelo medo, pela indecisão ou pela necessidade de se conformar.
- Você se fecha para não ver nem saber o que perturbaria seu equilíbrio.
- Você teme a influência de alguém e protege seu coração enquanto sua mente luta com um dilema.
- Você é ambivalente e hesitante, tem dificuldade de se comprometer e de decidir.
- Você se recusa a escolher entre amigo e inimigo, o que a isola dos outros.
- Ao se defender, você fica mais sujeita a arroubos, raiva e histeria.
- Seus traços de caráter se contradizem: você age ora por egoísmo, ora sem interesse próprio.
- Você pode faltar com tato, fazer perguntas sem importância e falar muito.
- Você pode repetir as ofensas depois de ter sido perdoada, ou magoar querendo fazer tudo certo.
O que te ajuda
- Comunicar e moderar sem tomar partido quando ideias ou visões se opõem.
- Se apoiar na sua intuição quando suas ideias se contradizem.
- Tirar a venda para ver a verdade ou se comunicar, e aceitar a ajuda externa se a experiência abalar você.
- Lembrar que o sofrimento produziu força, e que a paz que vem depois vem desse trabalho.
















